Saiba mais!

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Geração Distribuida

 A resolução normativa 482 da ANEEL, e sua revisão 687, trouxe uma flexibilização para consumidores de pequeno porte gerarem sua própria energia elétrica, e dentre vários benefícios, obriga a distribuidora de eletricidade a receber o excedente de energia elétrica gerada sob forma de compensação em KWh. Isso reduziu significativamente a complexidade e os custos do sistema, tornando viável a instalação de unidades geradoras de menor porte. O nome geração distribuída vem do fato de se gerar energia próximo ao consumo, ou seja, nas unidades consumidoras que estão distribuídas por todo pais. Em sua primeira versão, em 2012, a Ren ANEEL 482 permitia que fosse possível somente o modelo simples de geração distribuída, onde a usina é instalada na unidade consumidora que irá fruir da energia gerada, e do crédito de compensação. A revisão 687 à ren 482 ocorrida em 2015, aperfeiçoou as regras, tornando esta regulamentação uma das mais bem elaboradas do mundo. Além da forma convencional, adicionou-se 3 novas situações possíveis para sistema de compensação de eletricidade: Empreendimentos de múltiplas unidades consumidoras, autoconsumo remoto, geração compartilhada. 

Inflação Energética

De uma forma prática, a taxa de inflação é o aumento no nível de preços. No caso da inflação energética, é a taxa de aumento do preço da tarifa de energia elétrica em um determinado período, porém, mais importante do que conhecer apenas o conceito é saber analisar os impactos da inflação energética.As tarifas de energia elétrica subiram 107% acima do índice de inflação nos últimos 20 anos, segundo Instituto de Desenvolvimento Estratégico do Setor Energético. Ou seja,  sua conta de energia elétrica dobrou de valor em termos reais, se não houvesse inflação alguma.  Ao observarmos o nível de alavancagem das empresas do setor elétrico, há motivos para estimar que índices de aumentos futuros, serão ainda superiores.

O Risco Político.

 A Resolução normativa que possibilita a geração distribuída, é nova e pode sofrer alterações. Pressões de distribuidoras de energia elétrica, se opondo a oportunidade trazida pela ANEEL já estão ocorrendo. Entretanto, incentivos à geração de energia limpas e sustentáveis conta com agendas fortíssimas no contexto mundial, e estão apenas começando no Brasil.


O governo brasileiro assinou o contrato internacional da COP21 que obriga os participantes a desenvolver políticas públicas e mecanismos de incentivo a geração limpa, renovável e sustentável, que é exatamente o que este modelo oferece. Por isso a expectativa é que medidas que beneficiem o uso de fontes alternativas de energia só venham a ampliar. As distribuidoras são remuneradas pelo investimento feitos na instalação da unidade consumidora através do custo de disponibilidade para consumidor de baixa tensão, ou demanda contratada para o distribuidor de alta tensão. O sistema de distribuição de energia elétrica não pertence à distribuidora de energia elétrica, ele é um bem público, sob a concessão da distribuidora.O princípio fundamental trazido pela regulamentação 482 da ANEEL é gerar eletricidade, e “emprestar” energia não utilizada para a concessionária, e pegar de volta quando seja necessário a utilização pelo consumidor, isso é regime de compensação.


Aos olhos das distribuidoras, as unidades consumidoras com geração distribuída estão utilizando sistemas de distribuição a transmissão das distribuidoras, sem pagar nada por isso! Porém, não é isso que ocorre na prática, pois energia é consumida pela carga mais próxima da geração, o elétron sempre busca o caminho com menor resistência até a carga, o mais próximo. Portanto a energia elétrica injetada no sistema de distribuição pela geração distribuída, certamente será consumida por seu vizinho imediato, com insignificante uso do sistema de distribuição. Já para usinas de autoconsumo remoto, o princípio é o mesmo, a diferença é que não há consumo nenhum na unidade de geração, e a geração é completamente injetada no sistema da distribuidora, mas será integralmente utilizada por seus vizinhos imediatos, com insignificante uso do sistema interligado.


O Sistema interligado de energia elétrica é usado por centrais geradoras centralizadas, que são conectadas diretamente no sistema de transmissão através se subestações elevadoras. A energia chega aos centros de consumo, onde a tensão é abaixada para os níveis de distribuição nas subestações abaixadoras, e a energia assim necessita do sistema de distribuição para ser conduzida até as unidades consumidoras. Uma dinâmica bem diferente do que realmente ocorre com a geração distribuída. Além disso, geração distribuída traz inúmeros benefícios ao sistema de distribuição, ajuda na regulação de tensão nas pontas de circuitos, elimina perdas no sistema de distribuição, contribui para aumento de fontes de energia renováveis. Ao injetar potência de maneira distribuída no sistema interligado, evita-se a ocorrência de perdas ôhmicas associadas às distancias percorrida pela energia proveniente de geradoras centralizadas, com quilômetros de sistema de transmissão e distribuição. Estudos da EPE (Empresa de Pesquisa Energética), apontam que as perdas no sistema de transmissão e distribuição, são o terceiro maior consumidor de energia elétrica no Brasil, responsáveis por 16,1% do consumo de energia elétrica. Imagine o cenário onde a potência instalada com geração distribuída no país tenha proporções significantes em comparação ao total da planta energética brasileira, quanto seria economizado com perdas?Fonte: Balanço Energético Nacional 2017 – EPE.


A concepção do sistema elétrico interligado é bastante ramificada, e a potência flui do centro para as extremidades, das centrais geradoras para as malhas de distribuição. Para que a tensão elétrica permaneça estável nas pontas dos circuitos, são necessários dispendiosos bancos de capacitores. Ao injetar potência de forma distribuída, o fluxo inverte parcialmente a tendência e flui das extremidades para o centro do sistema, melhorando assim as tensões nas pontas e eliminando investimento em bancos de capacitores.


Energias renováveis como a solar, são excelentes pedidas para este modelo de geração, por se adaptarem a qualquer local onde haja sol, serem de fácil instalação, concepção modular que traz flexibilidade, e baixo custo de aquisição. Portanto, promover geração distribuída é promover energia limpa, renovável e sustentável.


Portanto, são fortes os motivos para se investir na manutenção do modelo de geração distribuída com fontes alternativas de energia. As investidas das associações representantes das distribuidoras de energia elétrica, em oposição à iniciativa da REN 482, até o momento tem sido ineficaz em barrar a evolução da legislação, que no presente momento é uma das mais modernas no mundo.


Mesmo que os incentivos sejam retirados no futuro, aqueles empreendimentos já construídos, que usufruem dos benefícios atuais, terão seu direito mantido pelo fundamento jurídico do direito adquirido.


A iniciativa de geração distribuída é uma inovação perturbadora que ocorre hoje no setor elétrico brasileiro, e veio para ficar. Pode parecer, à primeira analise, injusto ou incorreto para as distribuidoras de energia, mas ao aprofundarmos nos conceitos fica evidente estas presunções não procedem, o que fortalece e dá causa à manutenção desta iniciativa.


Além de todos os argumentos anteriores, vale ressaltar que a iniciativa em geração distribuída, traz um expressivo aumento na planta energética do país sem um centavo de investimento pelo governo, são essencialmente autofinanciadas pela iniciativa privada. Ao governo, basta legislar em favor, para aumentar a planta energética. Seria lúcido se opor a isso?

Estimativas de crescimento

  Empresa de Pesquisas Energéticas, EPE, publicou um estudo estimando que em 2020 o Brasil terá 250 mil consumidores com micro e mini geração distribuída, 18 vezes o numero de hoje (Set-2017), em 2024 teremos 1,2 milhões de consumidores, e em 2030 2,7 milhões de consumidores gerando sua própria energia elétrica. A mesma pesquisa realizada pelo Green Peace, apresenta índices ainda mais impactantes, em um cenário prevendo que o governo federal irá liberar utilização dos fundos do FGTS para aquisição de sistemas de micro e mini geração distribuída (tese defendida pela organização), em 2030 o Brasil terá 20 milhões de consumidores “solarizados”, com uma potência instalada de 20 GWp (1,5 x Itaipú), e esta indústria irá gerar 250 mil empregos diretos e indiretos.   

Minas largou na frente!

  No Brasil, o estado de Minas Gerias largou na frente nesta corrida por micro e mini geração distribuída, os motivos imediatos que traduz esta disparada são os fatores que tornam o investimento atrativo. O custo do KWh é um dos mais elevados do pais, a irradiação solar em grande parte do estado é elevada, e o poder aquisitivo dos mineiros, especialmente nos grandes centros, supera a média nacional. Dentro deste cenário, Belo Horizonte configura-se como o “El Dourado “ da micro e mini geração distribuída por fonte solar no Brasil.  

O futuro da eletricidade.

  O mercado de micro geração distribuída também alavanca outras tecnologias e produtos que irão expandir ainda mais o mercado. A Tesla está lançando as baterias de alta performance que são capazes de armazenar grandes quantidades de energia, imagina poder gerar e armazenar sua própria energia.

 

O veículo elétrico fará muito em breve parte do cotidiano dos brasileiros, e a realidade de utilizar a energia do sol para se locomover com seu veículo, propulsiona um mercado de carregadores inteligentes para veículos elétricos. 


O mercado de automação residencial, podemos vender sistemas inteligentes para aumentar o conforto, performance e economia no consumo de energia em residências, como sistemas automatizados de ar condicionado e aquecimento, Iluminação, Segurança, etc... 


As telhas Solares, recentemente lançadas pela Tesla, também trazem uma nova perspectiva para o mercado futuro.  


Existem também iniciativas de certificações em sustentabilidade. A energia gerada é injetada no sistema interligado, e não existe nenhuma evidencia da origem da energia consumida pelo consumidor, se foi de fontes renováveis ou de outras fontes de energia. Com intuito de promover o consumo sustentável de energia, agencias certificadoras emitem certificados de geração sustentável. Para cada 1MWh gerado, a usina recebe um certificado, que poderá ser adquirido por industrias com propósito de se distinguir das demais como consumidor consciente.  


Investir em micro geração distribuída também beneficia as concessionárias de energia elétrica, e os governos. Durante o dia, quando os sistemas solares estão funcionando, as concessionárias estão economizando água nos reservatórios de hidroelétricas, ou combustível nas térmicas, e estão vendendo para consumidores a energia gerada de forma distribuída, que são injetadas em seu sistema, sem ter pago um centavo pela geração. Incentivar a micro geração é interessante para o governo, pois reduz a necessidade de investimento na planta energética, isso representa menos necessidade de investimento em usinas, linhas de transmissão, distribuição e subestações. Aumenta a confiabilidade do sistema, pois a geração é mais próxima do consumo, contribui para a qualidade da energia nas pontas dos circuitos de distribuição, e torna a rede elétrica mais robusta. Tudo isso financiado diretamente pelo consumidor. Baseando-se em todas estas vantagens,  é honesto presumir que não haverá obstáculo para esta nova tendência, e sim aumento de incentivos que tornaram os sistemas ainda mais atrativos no ponto de vista financeiro, fomentando ainda mais rapidamente um mercado evidentemente crescente no Brasil.   

Material Educativo

Caderno tematico Micro e Minigeração Distribuida (pdf)

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Resolução Normativa ANEEL (pdf)

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